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Ações da Bayer sobem após vitória em julgamento nos EUA sobre Roundup

As ações da Bayer chegaram a subir até 5,2% nas negociações europeias nesta sexta-feira (30), após a companhia vencer, na quinta-feira (29), um julgamento nos Estados Unidos envolvendo o Roundup, herbicida à base de glifosato. Um júri do Missouri rejeitou por unanimidade acusações de defeito na concepção do produto, fraude e negligência apresentadas por três mulheres que associavam a exposição ao herbicida ao desenvolvimento de câncer.

Foi o primeiro julgamento sobre o produto desde a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em junho, que restringiu uma das principais alegações usadas em processos contra a fabricante. Por 7 votos a 2, a Corte decidiu que a legislação federal impede ações estaduais baseadas na falta de advertência sobre câncer no rótulo do Roundup quando essa informação não é exigida pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

A decisão no caso Durnell limitou processos fundamentados na ausência desse aviso, mas manteve abertas ações com outras alegações, como defeito do produto e negligência. No julgamento encerrado na quinta-feira (29), os jurados rejeitaram as três acusações após cerca de duas horas de deliberação, segundo o banco Jefferies.

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Para analistas do Jefferies, o resultado indica possíveis dificuldades para autores de outros processos baseados nos mesmos argumentos, embora um único veredicto não permita antecipar decisões futuras. O J.P. Morgan também avaliou que as alegações de defeito do produto e negligência poderão ser mais difíceis de sustentar nos tribunais.

A Bayer ainda enfrenta cerca de 65 mil ações nos Estados Unidos relacionadas ao Roundup, produto desenvolvido pela Monsanto, adquirida pelo grupo alemão em 2018. Em fevereiro, a companhia elevou de € 7,8 bilhões para € 11,8 bilhões as provisões e os passivos ligados ao conjunto de seus litígios, dos quais € 9,6 bilhões correspondiam aos processos envolvendo glifosato.

A empresa também aguarda decisão da Justiça americana sobre um acordo coletivo proposto de até US$ 7,25 bilhões para resolver determinadas reivindicações atuais e futuras relacionadas ao Roundup. A proposta depende de aprovação judicial.

No Brasil, o glifosato também está no centro de discussão judicial. Em setembro, a 7ª Vara do Trabalho de Brasília determinou a suspensão por 90 dias de novos registros e autorizações de defensivos à base da substância, sem atingir produtos já registrados e autorizados. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve os registros do glifosato, com restrições, após reavaliação concluída em 2020.

Fonte: Estadão Conteúdo

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