Notícias
Soja chega a 15,6%, mas chuva desigual limita avanço no País
O plantio da soja da safra 2026/27 alcançou 15,6% da área prevista até 9 de outubro, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O avanço foi de 6,2 pontos percentuais em uma semana. Os trabalhos estão à frente dos 11,1% registrados no mesmo período de 2025, mas próximos da média dos últimos cinco anos, de 15,2%.
O levantamento acompanha 12 estados que representam 96% da área cultivada com soja no Brasil. Entre eles, o Paraná apresenta o maior percentual semeado, com 36%, seguido por Mato Grosso, com 25,2%, e Mato Grosso do Sul, com 25%. Os indicadores medem a parcela plantada em cada estado, e não o tamanho da área já ocupada pela cultura.
A comparação com a média histórica mostra diferenças entre os principais produtores. O Paraná supera os 31,4% habituais para o período. Mato Grosso está ligeiramente abaixo de sua média, de 25,8%, enquanto Mato Grosso do Sul aparece à frente dos 21,8%.
A disponibilidade de água ajuda a explicar os ritmos distintos. Em Mato Grosso, a Conab informa que as chuvas e a recuperação da umidade do solo sustentam os trabalhos, principalmente no Médio-Norte e no Oeste. Em outras regiões do estado, produtores ainda aguardam condições adequadas para semear.
Em Mato Grosso do Sul, a chuva tem efeito duplo: recupera a umidade no norte do estado, mas também limita a entrada das máquinas. Nos talhões já semeados, o acompanhamento não aponta problemas.
Goiás chegou a 7% da área plantada, abaixo da média de 8,6%. As operações ganham ritmo no Sul e no Sudoeste, favorecidas pelas precipitações. Nas demais regiões, a irregularidade das chuvas mantém os trabalhos mais lentos.
Na Bahia, a semeadura atingiu 11%, com início das operações em áreas irrigadas. O percentual supera os 4% registrados um ano antes. Esse avanço, porém, não significa que as condições de umidade sejam suficientes nas propriedades que dependem exclusivamente da chuva.
Santa Catarina alcançou 7%, com trabalhos no Extremo Oeste, Oeste e Meio-Oeste. O excesso de umidade é o principal obstáculo apontado pela Conab. No Sul catarinense, o vazio sanitário ainda impedia o início do cultivo no período acompanhado.
Minas Gerais registrou 4,6% de semeadura. Em São Paulo, Rio Grande do Sul, Maranhão e Piauí, o plantio ainda não havia começado. Tocantins também permanecia com índice de zero na tabela do levantamento.
O quadro nacional reúne, portanto, situações diferentes: áreas onde a chuva permite acelerar o plantio, regiões em que o excesso interrompe as operações e outras que ainda aguardam água. A vantagem sobre o calendário do ano passado indica avanço da implantação da safra; o resultado da produção dependerá das condições enfrentadas pelas lavouras ao longo do ciclo.