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El Niño ganha força e tem 98% de chance de atingir nível muito forte; veja impactos no Brasil

A probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte nos próximos meses chegou a 98%, segundo o novo relatório da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgado nesta quinta-feira (10).
De acordo com o meteorologista do Canal Rural Arthur Müller, o fenômeno já está estabelecido e deve continuar influenciando o clima brasileiro durante a primavera e o verão, com impactos que podem alcançar o início do outono de 2027.
Com isso, o El Niño deve acompanhar praticamente todo o ciclo da safra 2026/27 de soja, aumentando a necessidade de atenção dos produtores às oscilações de chuva e temperatura.
“A gente vai ter um El Niño de muito forte intensidade. Ou seja, nos próximos três, quatro meses, muita atenção devido à volatilidade de temperatura e também das chuvas”, afirmou Müller.
El Niño deve perder força em 2027
Segundo o meteorologista, as condições observadas no Oceano Pacífico indicam que o fenômeno deve permanecer ativo até o próximo outono.
Depois disso, a tendência é de enfraquecimento e passagem por um período de neutralidade climática. Ainda é cedo, porém, para determinar qual condição poderá se estabelecer posteriormente.
Müller explica que uma massa de águas mais frias em profundidade no Pacífico Equatorial vem ganhando força e deverá contribuir para a dissipação do El Niño ao longo de 2027.
Apesar da intensidade prevista, o meteorologista ressalta que um El Niño muito forte não significa, necessariamente, que o Brasil enfrentará desastres climáticos generalizados.
Os impactos dependem da região e da interação do fenômeno com outros sistemas atmosféricos, o que exige acompanhamento constante das previsões.
Sul pode ter excesso de chuva e Norte enfrentar seca
Os efeitos característicos do El Niño já aparecem na distribuição das chuvas, segundo Müller. O cenário favorece volumes acima da média em partes do Centro-Sul, enquanto áreas do Norte podem enfrentar redução significativa das precipitações.
Para setembro e outubro, as chuvas tendem a favorecer principalmente áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Em sentido oposto, a estiagem pode se intensificar no Norte e no Nordeste. Müller chama atenção especialmente para o Pará e outras áreas da Região Norte, onde uma seca mais intensa também poderia provocar impactos na logística do Arco Norte.
No Sul, o excesso de precipitação merece atenção principalmente em Santa Catarina e Paraná.
Calor também preocupa no Centro-Norte
Além da distribuição irregular das chuvas, as temperaturas devem apresentar forte volatilidade.
Segundo Müller, áreas do Centro-Norte do Brasil podem registrar temperaturas muito acima da média nos próximos meses.
Para o agronegócio, a combinação de calor, irregularidade das precipitações e episódios de chuva excessiva torna o planejamento da safra ainda mais importante, especialmente na definição das melhores janelas para o plantio.
“É um ciclo bem volátil, em que o produtor precisa acompanhar dia a dia”, afirmou o meteorologista.
Curto prazo tem risco de temporais e tornados
Enquanto o El Niño chama atenção para os próximos meses, o Centro-Sul também enfrenta risco de tempo severo no curto prazo.
Segundo Müller, a formação de um ciclone extratropical mantém o ambiente favorável a temporais, granizo, rajadas intensas e até tornados em áreas do Sul e do Sudeste.
O meteorologista destacou risco em áreas do Paraná, Santa Catarina e interior de São Paulo, além da possibilidade de ventos superiores a 100 km/h em pontos atingidos pelas tempestades.
Müller ressaltou que os mapas indicam zonas onde as condições atmosféricas são favoráveis à formação de tornados, mas não significam que o fenômeno ocorrerá em toda a área sob risco.
Nos próximos cinco dias, os acumulados de chuva podem ficar entre 100 e 150 milímetros em áreas de Santa Catarina, Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e São Paulo, com potencial para prejudicar atividades no campo e provocar transtornos em áreas urbanas.
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