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Brasil busca R$ 18 bilhões em negócios para o agro na feira da alimentação de Paris

As empresas brasileiras que participam do Salão Internacional da Alimentação (Sial), aberto neste sábado (17.10), nos arredores de Paris, buscam aproximadamente R$ 17,8 bilhões em negócios imediatos e futuros. A meta da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) acompanha uma delegação de 156 empresas e tem como desafio transformar contatos com importadores em contratos de fornecimento para as cadeias do agronegócio.

A expectativa é 9,4% superior ao valor de negócios informado pela agência para a edição de 2024, na comparação em moeda estrangeira. O número reúne vendas que podem ser fechadas durante a feira e negociações com possibilidade de conclusão posterior. O resultado efetivo dependerá da conversão dessas oportunidades em pedidos e embarques.

Para o produtor rural, a feira interessa principalmente pelo aumento e pela diversificação da demanda. Contratos de frigoríficos, cooperativas e indústrias alimentícias podem ampliar a compra de matéria-prima no Brasil. O efeito sobre o preço recebido na fazenda, porém, depende do volume negociado, da oferta disponível e dos custos para atender ao comprador.

A participação brasileira reúne diferentes formas de chegar ao mercado externo. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) leva mais de 20 empresas, enquanto a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reúne 25 agroindústrias e cooperativas ligadas a cadeias como avicultura e suinocultura.

Nas carnes, conquistar clientes pode ampliar as alternativas de venda para os frigoríficos e sustentar a procura por animais. Na produção integrada de aves e suínos, a relação entre exportação e renda passa também pelas condições dos contratos com as indústrias. O aumento das vendas externas precisa ser acompanhado de remuneração e regularidade das encomendas para chegar ao caixa do produtor.

A busca por compradores também alcança a agricultura familiar. Dez cooperativas terão estandes próprios pela primeira vez na participação organizada pela ApexBrasil. A venda coletiva permite reunir produção, dividir despesas comerciais e negociar lotes que um agricultor isolado teria dificuldade para fornecer.

Esse caminho exige preparação. Além de preço competitivo, o exportador precisa combinar qualidade, volume e prazo de entrega. Conforme o produto e o destino, entram na conta certificações, comprovação de origem, embalagem, transporte refrigerado e exigências sanitárias.

São despesas que precisam ser descontadas da receita esperada para avaliar se o negócio compensa. Um contrato com preço maior pode perder atratividade quando exige investimentos elevados, frete caro ou prazos longos de pagamento. Para cooperativas e fornecedores, a negociação envolve tanto o valor da mercadoria quanto a divisão desses custos.

Embora realizada na França, a Sial reúne compradores de diferentes regiões. A organização anuncia cerca de 8 mil expositores de 130 países. Essa concentração permite às empresas apresentar produtos a importadores, distribuidores e redes de varejo e buscar alternativas à dependência de poucos clientes.

A feira segue até quarta-feira (21), no centro de exposições Paris Nord Villepinte. Para as cadeias brasileiras, o indicador mais relevante virá depois das reuniões: contratos executados, frequência das entregas e margem obtida na operação. É essa continuidade que pode transformar uma venda pontual em demanda estável pela produção rural.

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