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Brasil projeta safra de 367 milhões de toneladas, com soja e milho em alta
O Brasil deve colher 367,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27, aumento de 1,4% sobre o ciclo anterior, segundo a primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta quinta-feira (15). Soja e milho puxam o crescimento, enquanto a expansão da indústria de etanol amplia a procura pelo cereal no mercado interno.
O volume representa um acréscimo de 4,9 milhões de toneladas. A área cultivada deve chegar a 85,4 milhões de hectares, avanço de 2,3%. Como o plantio cresce mais que a colheita prevista, o levantamento aponta uma safra maior sustentada pela ampliação da área, com menor rendimento médio.
Na soja, a produção está estimada em 181,6 milhões de toneladas, alta de 0,7% e novo recorde caso a previsão se confirme. A área deve aumentar 1,4%, para 49,3 milhões de hectares. Mesmo positivo, esse seria o menor crescimento percentual da superfície cultivada em 20 anos.
A Conab relaciona o ritmo mais lento à redução das margens dos produtores e à menor atratividade para incorporar novas áreas. A produtividade média deve recuar aproximadamente 0,8%, após os resultados elevados da temporada passada e diante das incertezas sobre o clima no novo ciclo.
As vendas externas de soja devem alcançar aproximadamente 118 milhões de toneladas. Para o farelo, a previsão é de 27,1 milhões, aumento de 3,06%. No país, o processamento do grão para produzir óleo e farelo deve chegar a 63,8 milhões de toneladas, com a demanda por biodiesel entre os fatores considerados pela companhia.
O milho tem crescimento mais forte: a produção das três safras está projetada em 148 milhões de toneladas, avanço de 2,4%. A área deve aumentar 4,9%, para 23,7 milhões de hectares. O maior salto proporcional está na primeira safra, com expansão de 10,7%, para 4,54 milhões de hectares.
O aumento da colheita vem acompanhado de maior consumo. Impulsionada pelo etanol, a demanda interna de milho deve crescer 6,6%. Os estoques previstos para o encerramento do ciclo são de 14,9 milhões de toneladas, abaixo dos 16 milhões esperados ao fim da temporada anterior. Isso indica que a procura deve absorver o aumento da oferta e parte das reservas.
Nos alimentos mais presentes na mesa, o cenário é diferente. A produção de arroz deve cair 2,9%, para 10,8 milhões de toneladas. A menor disponibilidade leva a Conab a projetar redução de 17,4% nas exportações, para 1,66 milhão de toneladas. O feijão deve permanecer próximo de 2,9 milhões de toneladas.
Entre as culturas de inverno acompanhadas pelo boletim, o trigo de 2026 tem produção prevista de 5,7 milhões de toneladas, queda de 27,2%. A redução combina menor área e produtividade, com 40,3% da superfície já colhida no período pesquisado.
As projeções ainda dependem do avanço das lavouras. No início de outubro, o plantio de soja havia atingido 15,6% da área nacional. Por ser o primeiro levantamento, a Conab combina informações de campo com modelos estatísticos e climáticos e atualizará os números durante a temporada.