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Elena Landau critica transição energética no Brasil e cobra mudança na governança

A ex-diretora de Desestatização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Elena Landau afirmou nesta quinta-feira (10) que a transição energética no Brasil “é uma porcaria”, por considerar que o modelo atual é caro e socialmente injusto. A declaração foi feita em São Paulo, durante o painel “Por que energia, minerais e alimentos são uma agenda nacional estratégica”, organizado pela Meridiana.
Durante o debate, Landau disse que o problema é estrutural e envolve falta de controle, transparência e alocação de recursos capturada por interesses concentrados, com custos repassados ao consumidor. Segundo ela, o debate sobre o setor elétrico deveria começar por uma rastreabilidade das decisões públicas, com etapas claras e verificáveis.
“A primeira coisa é governança”, afirmou. Na avaliação da economista, o mau funcionamento da governança não se restringe ao setor elétrico e também está ligado à dificuldade do Estado de enfrentar temas considerados urgentes em tempo hábil.
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Landau associou ainda a agenda energética ao estrangulamento fiscal. Segundo ela, o avanço das despesas obrigatórias reduz o espaço para planejamento e priorização, o que, em sua avaliação, exige discutir reforma da Previdência e o desenho do gasto público. “Não vai sobrar nada mais se a gente não fizer”, disse.
Ao tratar especificamente do setor elétrico, a economista criticou a forma como a transição energética tem sido conduzida no País. Segundo ela, a política foi desenhada para remunerar agentes e acomodar subsídios, em vez de atender o usuário do sistema. Landau afirmou que o Brasil enfrenta ao mesmo tempo problemas de acesso e de custo da energia, enquanto consumidores cativos têm pouca influência política.
A economista também destacou o peso de tributos e encargos nas tarifas. Segundo ela, a tarifa de energia elétrica carrega 30% de tributo. Na mesma linha, criticou despesas embutidas na conta de luz para cobrir escolhas que classificou como mal desenhadas.
Landau citou ainda decisões sobre a matriz elétrica que, em sua visão, agravaram distorções, como restrições a usinas com reservatório na Amazônia, que teriam levado à expansão de térmicas. Também questionou a estrutura de subsídios às fontes renováveis, ao apontar distorções entre preço marginal e tarifas contratuais.
Para Landau, a universalização do acesso à energia precisa ser conduzida sem transferir custos para a população de baixa renda, que, segundo ela, não consegue investir em geração distribuída. Ao encerrar a participação no painel, defendeu o aumento da geração distribuída e a reorganização da matriz energética.
Fonte: Estadão Conteúdo
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