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Exportações de carne bovina somam US$ 1,36 bilhão em março, alta de 29,1% sobre 2025

Foto: Pixabay

As exportações de carne bovina em março de 2026 mostraram desaceleração no ritmo de crescimento do volume embarcado em comparação com os dois meses anteriores. Apesar disso, a receita apresentou avanço mais expressivo, refletindo a valorização dos preços da carne brasileira em dólar no mercado internacional.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), mostram que as vendas externas de carne bovina in natura cresceram 8,95% em volume em março deste ano, em relação a março de 2025, para 233,79 mil toneladas.

Em receitas, as exportações de carne bovina in natura aumentaram 29,14% no mesmo período, para US$ 1,36 bilhão. Em janeiro e fevereiro de 2026 houve crescimento, respectivamente, de 28,7% e 24% no volume embarcado, frente a iguais meses do ano anterior. Em receitas, os resultados de janeiro e fevereiro apresentaram crescimento de 42,5% e 41,9%, respectivamente.

Avanço em receita

É importante considerar que o desempenho das exportações de carne bovina em 2026 parte de uma base de comparação elevada, considerando os sucessivos recordes mensais ocorridos em 2025, o que diminui expectativas de continuidade de um ritmo de crescimento mais robusto.

A carne in natura representa aproximadamente 90% das exportações de carne e subprodutos bovinos. No total, considerando tanto carne in natura, como industrializada, e subprodutos como miudezas, tripas e sebo bovino, as exportações do setor cresceram 21,42% em março de 2026, frente a março de 2025, para US$ 1,476 bilhão. No volume total, houve queda de 6,65% no mesmo período, para 270,53 mil toneladas.

No acumulado do primeiro trimestre, as exportações totais cresceram 32,29%, frente ao primeiro trimestre de 2025, alcançando US$ 4,32 bilhões. Em volume, na mesma base comparativa, o crescimento foi de 10,98%, para 827,64 mil toneladas.

Considerando apenas a carne bovina in natura, houve crescimento de 37,45% nas exportações do primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, cujas receitas somaram US$ 3,98 bilhões, enquanto o volume embarcado cresceu 19,92%, totalizando 700,98 mil toneladas.

Os valores médios de exportação da carne bovina in natura no primeiro trimestre apresentaram valorização de 14,61%, alcançando US$ 5.642 por tonelada. No primeiro trimestre de 2025 os valores médios de exportação foram de US$ 4.954 por tonelada.

Maior exportador

A China se manteve como o maior importador da carne bovina brasileira no primeiro trimestre do ano, com aquisições totais de US$ 1,816 bilhão, que representam crescimento de 41,83% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume total enviado ao país asiático foi de 325,68 mil toneladas (aumento de 39,35%).

É importante ressaltar que esse volume não reflete a quantidade considerada pelo governo chinês para efeito de contabilização da quota de 1,106 milhão de toneladas (livres da tarifa extraquota de 55%), estabelecida em função da aplicação de medidas de salvaguardas pelo país asiático.

Isso por que o governo chinês considera, no cálculo da quota, as cargas que chegaram aos portos chineses a partir de 1º de janeiro de 2026, mesmo que tenham sido embarcadas nos portos brasileiros no ano anterior.

Dados divulgados pelo Ministério do Comércio da China (Mofcom) em março indicam que as vendas de carne bovina do Brasil para a China atingiram 372,08 mil toneladas nos dois primeiros meses do ano. As informações referentes a março de 2026 ainda não foram divulgadas pelo órgão.

No entanto, ao somar o volume embarcado em março de 2026, apurado pela Secex, estima-se que o Brasil tenha exportado 474,08 mil toneladas de carne bovina para a China no primeiro trimestre de 2026. Esse volume representa 42,86% da quota tarifária destinada ao país, de 1,106 milhão de toneladas.

Dessa forma, restaria ainda ao Brasil um volume de 631,92 mil toneladas (57% da quota), a ser exportado livre da tarifa de 55%. Essas estimativas podem ser alteradas em função de novas informações a serem divulgadas pelo Mofcom, relativas às entradas nos portos chineses no mês de março.

Os valores médios (Fob) de exportação da carne bovina in natura brasileira para a China no primeiro trimestre do ano tiveram valorização de 15%, em relação ao primeiro trimestre de 2025, para US$ 5.578 por tonelada. No primeiro trimestre do ano, a China participou com 46,42%, em volume, e 45,6%, em receitas, nas exportações brasileiras de carne bovina in natura.

Estados Unidos

As vendas de carne bovina in natura para os Estados Unidos cresceram 60,96% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o primeiro trimestre de 2025, alcançando US$ 588,98 milhões. Em volume, houve crescimento de 28,51%, para 98,17 mil toneladas.

Os valores médios da carne bovina in natura exportada para o país norte-americano alcançaram US$ 6 mil por tonelada no primeiro trimestre de 2026 (aumento de 25,25%).

Os Estados Unidos seguem com um elevado déficit de abastecimento interno, estimado em cerca de 2,5 milhões de toneladas em 2026, segundo dados do USDA. Diante desse cenário, o país se mantém como o segundo maior importador da carne bovina brasileira, respondendo por 14% do volume exportado e por 14,8% da receita obtida.

Um dos maiores importadores

A União Europeia atualmente ocupa a terceira posição entre os maiores importadores de carne e subprodutos bovinos do Brasil.

De janeiro a março de 2026, as vendas de carne bovina in natura para o bloco comercial europeu cresceram 29,48%, comparativamente ao primeiro trimestre de 2025, somando US$ 187,96 milhões, enquanto o volume embarcado cresceu 21,16% no mesmo período, para 21,713 mil toneladas.

Os valores médios de exportação da carne bovina in natura exportada para a União Europeia apresentaram valorização de 6,86% no primeiro trimestre do ano, US$ 8.656 por tonelada.

No total, considerando também carne bovina industrializada e subprodutos, as vendas para a União Europeia cresceram 49,84% no primeiro trimestre de 2026, alcançando US$ 251,57 milhões.

Demais países

O Chile, por sua vez, ampliou tanto volume quanto valor, +27,6% e +36,9%, respectivamente, atingindo 38.764 toneladas e receita de US$ 224,1 milhões. A Rússia elevou suas compras em 73,4% em volume e 91,1% em valor.

O México completou o grupo dos seis maiores mercados, com crescimento sólido de 37,5% no volume e 55,6% no valor, totalizando 18.374 mil toneladas e US$ 105,3 milhões. No total, 106 países aumentaram suas importações no primeiro trimestre, enquanto outros 49 diminuíram as compras.

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